Virunduns
Em tempos dantes navegados, 31 de março era celebrado na escola como o Dia da Revolução (sic) de 1964, e éramos obrigados a pintar bandeirinhas do Brasil e a cantar o Hino Nacional no pátio do colégio. Com as mãos encostadas no peito, soltávamos nossas vozinhas agudas em uníssono, repetindo mecanicamente uma letra hermética, como se isso fosse capaz de despertar ufanismo em alguém. Oras, é como esperar que um moleque de 11 anos vá criar gosto pela leitura depois de ser obrigado na escola a ler Iracema ou Eurico, o Presbítero. Mas, no meu caso, o Hino soava mais nonsense ainda. Porque, na maior das convicções pueris, eu cantava a seguinte pérola: “Elvira do Ipiranga às margens plácidas”. Passei anos intrigado com o misterioso papel de Dona Elvira na proclamação da independência, especulando se não era um pseudônimo da Marquesa de Santos.
Anos mais tarde descobri uma expressão, aparentemente criada por Paulo Francis (na época do primeiro Pasquim), para definir essas ocasiões em que a cabeça da gente viaja longe e recria maionesicamente letras de música: “virundum”. Inspirada, obviamente, pelo fatídico verso inicial de nosso hino, (”virundum Ipiranga às margens plácidas”) que até hoje causa lapsos em patriotas incautos e jogadores da Seleção, ao cantarem coisas como “verás que um FILISTEU não foge à luta” ou “do que a terra MARGARIDA”.
Há uma expressão mais contemporânea: “dibikini”. Originada por um velho hit do grupo Brylho, Noite do Prazer: “na madrugada vitrola rolando um blues/ tocando B. B. King (ou: trocando de biquíni) sem parar”.
Aqui no Brasil, o “virundum” mais hilariante que conheço foi descrito por Mário Prata. Uma amiga dele confessou que, ao ouvir Ciranda Cirandinha, entendia que o verso “o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou” significava “o amor de Tumitinha era pouco e se acabou”. Para ela Tumitinha era o diminutivo carinhoso de Tumita, um garoto japonês que se decepcionava demais toda vez que se deparava com a volatividade de suas paixões. Quando descobriu que o tal garoto não existia, sofreu pra burro. Parece que ela faz análise até hoje.
Uma grande “especialista” em virunduns é minha amiga Patricia Correia, a Sra. Pedro Vitiello. Que, ao cantar o tema do Sítio do Pica-Pau Amarelo, em vez de “bananada de goiaba, goiabada de marmelo”, cometia: “banana a dar de goiaba, goiaba a dar de marmelo”.
Outra amiga minha que repassou exemplos ótimos de virunduns é Maria João Amado, a mãe da Júlia. Repasso a palavra a ela:
“Eu tenho 2 músicas que juropurdeus que ouvia diferente: uma é ‘Como Nossos Pais’. Naquela parte do ‘contando o vil metal’, eu entendia ‘cortando fio dental’. :) E a outra é uma música de Luiz Gonzaga que diz: ‘Luiz respeita Januário…/ Respeita os oito baixos do teu pai’. Eu entendia, e cantava: ‘respeita os ‘ovo baixo’ do teu pai’.
Tem uma outra historinha bonitinha de meu irmão mais novo. Um belo dia saímos em família para lanchar na McDonald’s recém-inaugurada (isso foi em 87), e Jonga, meu irmãozinho, do alto dos seus 7 anos falava que os Beatles isso, e os Beatles aquilo. Meu Big Brother (irmão mais velho), já de saco cheio da falação, intimou:
- Você conhece os Beatles?
- Claro. Conheço muito.
- Ah, é? Então diga pelo menos 1 música deles.
- Fácil. Tilóptium!
(todos juntos) - O quê?
- Tilóptium!
- E que música é essa?
- Aquela… Tilóptium yeah, yeah, yeah…”
Vai, confessa aí: qual foi o pior “virundum” que você já cometeu? Compartilhe suas recriações musicais no espaço dos comentários…
(texto publicado originalmente em Pensar Enlouquece, Pense Nisto.)
cantarolado por Inagaki
Skank:” Não sei porque nessas esquinas vejo o seu olhar”
Eu cantava ” Não sei porque essa vesguinha veio me olhar”
Sou Ian, 24, Embú das Artes. Escritor de mentirinha, auxiliar de cobrança e pretenso estudante de História.
Meu primeiro virundum (pelo menos o primeiro a vir na memória) data de 1985, cantando todo feliz “Morei no alto / bonito e sensual…” , ao invés do correto “Moreno alto / bonito e sensual…” da música “Amante Profissional” do já falecido grupo Herva Doce.
A perda da inocência não fez com que eu deixasse de cometer erros como “Da arma e do amor / sou do amor…” ao invés do correto “Da-me tu amor / solo tu amor…”, refrão de “Trac Trac”, canção dos Paralamas do Sucesso, que só fui entender alguns meses atrás.
Ursinho Caxambó
Enquanto Marcelo Nova e o Camisa de Vênus mostravam ao Brasil a sua saga a bordo de um Sinca Chambord, a jovem criança aqui cantarolava “acabaram com isso em Caxambó”.
Tenho absoluta certeza de que eu e muitos outros cantavam mais ou menos assim, independente do conhecimento geográfico - afinal, o que diabos um bando de roqueiros estariam fazendo nesta pequena cidade no interior de Minas Gerais acabando com “isso”, seja lá o que for?
Mas foi no ano passado que pude constatar o óbvio: esta é uma das músicas campeãs do “virundum”. Foi em mais um dos incontáveis bate-papos informais com o meu irmão gêmeo Adilson Fuzo. “E eu, que passava anos cantando ‘Acabaram com o Ursinho Caxambó’”. Pobre animal. O ursinho, claro, não o Adilson.
Talvez esta, ao lado do “trocando de biquini sem parar” e o refrão monossilábico da clássica “Oceano” do Djavan (Só se fi fê sí fô fú vô cê) sejam as campeãs do trocadalho. Mas a missão deste espaço não é a de contar quantas, mas sim colecionar um grande número. Tenho certeza de que não vai faltar material para rechear este blog nos próximos anos! (cantarolado por Marmota)
Espalhando Ramas
De todos os virunduns que vim a descobrir, graças às colaborações enviadas por leitores, nenhum me deixou mais chocado do que o exemplo enviado pela Carla Regina Zuquetto:
“Me lembrei de um virundum que já virou versão oficial. Em todo caso, quando eu descobri isso fiquei surpresa! É do poeminha da batatinha: ‘Batatinha quando nasce ESPALHA RAMA pelo chão’, não ’se esparrama’. Alguém consegue imaginar uma batata recém-nascida se esparramando pelo chão??
Nem quando a Simony da Turma do Balão Mágico apareceu de repente na capa da Playboy fui tão surpreendido; nunca mais fui o mesmo depois dessa revelação. (cantarolado por Inagaki)
DA SÉRIE “OS GRANDES VIRUNDUNS DA HISTÓRIA”
Episódio I - Alagados - Os Paralamas Do Sucesso
“Alagados”, faixa que abre o terceiro disco dos Paralamas do Sucesso, “Selvagem”, de 1986, é protagonista de um sem-número de casos de virunduns já cometidos, principalmente pelas crianças e não-falantes da língua inglesa. Pois é a este idioma que pertence a palavra “TRENCHTOWN”, a maldita.
Aqui vai um breve esclarecimento (e, corrijam-me em caso de erro): Trenchtown é uma das maiores favelas de Kingston, capital da Jamaica. Curiosamente (pelo menos eu não sei por que) conhecida como “Favela de metal”. Foi lá que nasceu o ícone-mor do Reggae, Bob Marley.
Na música, Herbert Vianna canta: “Alagados / Trenchtown / Favela da Maré / A esperança não vem / Do ar / Nem das antenas de tevê / A arte de viver da fé / Só não se sabe fé em quê…”. Percebe-se claramente que a música fala das classes menos favorecidas e em como elas fazem os mais ousados malabarismos para sobreviver. No refrão, Herbert cita alguns locais aonde residem os pertencentes a esta classe.
Bem, mas vamos ao que interessa, as primeiras colaborações deste blog:
MARLOS
Alguém aí sabe qual é palavra pronunciada por Herbert Vianna depois que fala a palavra ALAGADOS na sua canção ALAGADOS? Até hoje eu não sei. Sempre canto algo como “Alagados, twist down”, mas sei que isso não faz sentido nenhum. Outro verso: “A arte de viver da fé, só não se sabe O QUE É VIVER”…
MISS R
“Alagados, CRISTAL, favela da maré…”
RODRIGO DELLA LIBERA
“Alagados, Uzbekstão, Favela da Maré… a esperança não vem do mar, vem das antenas de tv…”
PENELOPE
Dos Paralamas, nem o nome da música eu sei. “Alagados, (nessa hora eu canto algo tipo “renrau” pq não dá prá entender mesmo…), favela da maré, a esperança…”. Pombas, alguém cantou usbekistão?! Perá lá, de renrau prá usbekistão… Mas ainda me pergunto, o que haverá no lugar do meu renrau…
MARIANA DE LUCCA
Mais uma do Alagados, a música recorde de virunduns… depois de “Uzbekistão (!), renrau…”. Eu cantava: “Alagados, CENTRAL, na beira da maré”. Só agora fiquei sabendo que é favela da maré! (nossa, que nadavê)
FÁBIO
Fiquei muito confuso quando assisti o clipe de ‘Alagados’, dos Paralamas do Sucesso.
A letra falava: “Alagados flintstown, favela da maré…” e nada de “Bedrock” aparecer no clipe!!
LUCIANA TEIXEIRA
Tem a clássica, a campeã de virunduns: “Alagados, Flinstones!”. Eu imaginava - que loucura - o Fred na beira da maré.
RENATA PARPOLOV
- minha versão pra Alagados era “alagados, FREISTAL, favela DO AVARÉ(??)”. ainda bem que ninguém nunca pegou, seria terrível pra mim. :)
O certo é “Trenchtown”. Que, segundo minhas pesquisas…
- segundo informações próprias, trenchtown é palafita, aquelas casas em cima da água na floresta amazônica;
- segundo informações da minha amiga de infância, a pati, trenchtown é também uma cidade na jamaica;
- segundo informações do denis, meu vizinho, trenchtown é o lugar onde o bob marley nasceu.
cantarolado por Ian.
Prosseguindo com o debut deste glorioso espaço com mais Paralamas do Sucesso, aqueles simpáticos cidadãos que cantam Häagen-dazs de mangaba, chateau canela preta. Acredite: já encontrei na net versões para a letra de “Lourinha Bombril” com a expressão AGUENDÁ CHIMANGABA (?). Mas tem mais.
Roberta Martins
Minha irmã, depois que cresceu, cantava assim “Que país é este”, da Legião: “Quando venderem todas as horas dos nossos filhos no verão…”. A versão original é “Quando venderem todas as almas dos nossos índios num leilão…”
E uma amiga da minha irmã também cantava assim a música O Beco, do Paralamas: “No beco SPUM! explode a violência…” (No beco escuro explode a violência…”)
Vamos dar um desconto para o da irmã. Afinal, os Paralamas só regravaram a música…
Ivan
Um que eu cometia era aquela Meu Erro do Paralamas… Ao invés de “eu conheço seus erros eu vejo seus passos” eu achava que era: “conheço seus erros, conheço seus trotes”.
Renata Parpolov
Paralamas, trac trac, tinha um refrão incompreensível. Eu cantava assim “TALENTO AMOR, SOLTO AMOR” e alguém me disse esses dias que era “dá me tu amor, soy tu amor”. seria isso mesmo, alguém confirma?
Quase isso, Renata. Segundo o Ian ali em cima, é “Dá-me tu amor, solo tu amor”. Mas essa ninguém canta assim.
Gpedrag
Meu mais famoso erro de interpretação foi na música Melô do Marinheiro. Cantava assim: “Entrei de caiaque no navio…”, quando o real é “Entrei de gaiato no navio…”.
Tudo bem, Gpedrag. O Dante Gabriel R. também entrava no navio de caiaque… (cantarolado por Marmota)
Embromation society
Muitas das gírias e bordões que usamos não passam de meras transcrições fonéticas de músicas estrangeiras. Dois exemplos cRássicos: o “uh tererê”, originado do refrão de um rap do grupo americano Tag Team que diz “Whoop, there it is!” (Ôpa, aí está!), e o tal do “poperô”, que denomina aquelas músicas dance com batida no estilo “bate-estaca”, termo inspirado pelo hit “Pump Up the Jam”, do grupo de pop eletrônico Technotronic.
Como não poderia deixar de ser, alguns dos mais engraçados virunduns provêm daqueles que falam “engrish” e acabam cometendo traductions (sic) que provocariam risadas em qualquer língua. Por exemplo…
Manobeto
A empregada de um amigo meu chegou pra ele e pediu para que ele tocasse no computador a musica “A Historia do Jou”. Meu amigo não sabia que música era aquela até que ela começou a cantar. A música era “I Started a Joke”.
John
Hehe, tem aquela clássica do Billy Idol: “ajudar o peixe…” (”Eyes Without a Face”)
Cynthia
Melhor ainda é criança cantando o refrão do I’m so hot (She’s so cold) dos Rolling Stones como “fiz cocô, fiz cocôô- ô…”
Pipa
Quando eu tinha uns 8 anos, entendia assim: “And I think to myself: olha onde furou…” (”what a wonderfull world”)
E “I need you” sempre virava “Anísio”, o nome do pedreiro que reformou a nossa casa.
Luisa Cortesão
Esta eu não resisto a contar: a minha sobrinha Mariana, aí com uns 4 anos, cantava o refrão “all together now” (Beatles) “ó pequeno anão, ó pequeno anão”.
Marina
Uma vez, na viagem para Recife num congresso de Jornalismo, estávamos em turma e uma amiga, muito empolgada e famosa por soltar pérolas engraçadíssimas, lançou a seguinte façanha: “Escarlatiche that I wish you só”, na música “Scar Tissue” dos Red Hot. Até hoje é motivo de gargalhada, por que o que é que a lagartixa tem a ver com a música????
LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA
Menção rápida da infância.
A música do Sítio do Pica Pau Amarelo, cantada pelo Gilberto Gil, foi motivo de um virundum da minha parte.
Eu cantava “…o sol nasce / dia tão belo…”, quando o certo seria “…o sol NASCENTE é tão belo…”
Sobre esta mesma música, a Mauricéia Maria, de Salvador, comenta:
…e tem do Sítio do Pica Pau tb, eu cantava “sapo do tio emílio é gente”, em vez de “sabugo de milho é gente”, essa eu só descobri agora na nova versão do programa
cantarolado por Ian.
Mauricéia Maria
Eu cantava até o ano passado um trecho de Como nossos pais, ‘mas é você que é mal passado e não vê’, em vez de ‘é você que ama o passado e não vê’, e olha que cresci ouvindo essa música. E a campeã, Alagados, eu cantava ‘Alagados treisdown’, assim mesmo, treis, com i, mais chique.
Viva a bicharada!
Animem-se, defensores da fauna brasileira! Graças aos virunduns, muitos animais saem de suas tocas e vão parar em letras de música! Duvida?
C. Fadini
Tenho mais um virundum para a coleção de vocês. É da música “Faroeste Caboclo”. Nela tem uma parte que fala “é melhor o senhor sair da minha casa, nunca brinque com um peixe de ascendente escorpião”. Por muitos anos eu achava que a letra dizia “é melhor o senhor sair da minha casa NUM CABRITO COMO UM PEIXE, QUE ACENDESTE ESCORPIÃO”.
Marcela Marques
Até um dia desses eu cantava assim aquela música do 14 Bis: “Maravilhaaa, juventude, pobre de mim, pobre de nós, vira-lataaa!” O certo é Via Láctea (eu acho)…
Guida
Tenho dois, agora no momento. Um, de minha mãe: “Um homem pra chamar de seu”, acho que do Erasmo, o amigo do Rei… Ela sempre cantou: “Um homem pra chamar DIRCEU”… E a outra, do meu irmão: “O sol está solto em você”, ele cantava: “Eu solto os cachorros em você”…
Adriano Ribeiro
Um amigo meu cantava: “Era um garoto, que como eu, amava os BICHOS e os HORIZONTES”. (”os Beatles e os Rolling Stones”)
Randall
Skank: “Ô macaco cidadão eu te chamei a atenção não foi a toa não…” (”ô pacato cidadão”)
Ana Katia
Lembrei de um amigo meu que na música Garota Nacional - Skank cantava: “Eeeeeu quero te provar, FORMIGA a vapor (ooooow), quero te provar (dudubirudududu)”. (”Cozida a vapor”)
Nelson
Duas em músicas do RC. Uma foi o Quads, meu sócio no “Prediletos”. Em Os Seus Botões: “Nos lençóis macios, a mãe do Cidão…”. (”amantes se dão”). Outra foi minha mesmo. No Meu Pequeno Cachoeiro, na hora de “Meu flamboyant na Primavera…” eu entendia “Meu FRANGO olhando a primavera…”
Salientando mais uma vez que, nesta série animal, a presença do Cidão aqui é meramente ilustrativa…
(cantarolado por Marmota )
Pra encerrar essa minha singela primeira contribuição, uma pérola protagonizada pelo pai da amiga de meu amigo Flávio Galvão. Conversando com a moça, o pai disse que adorava Fagner, principalmente aquela música Quitéria. E ela, sem desconfiar do que a aguardava, perguntou que música era essa. No que ele prontamente respondeu, enchendo os pulmões de ar para cantar melhor: “Quitéria tem um peixe…” O certo seria: “Quem dera ter um peixe…”
AINDA ALAGADOS
Garota Urbana
http://www.amentecapta.blogspot.com
Parece mesmo que “Alagados” faz um sucessão nos virunduns! Eu mesma tenho o meu, de quando era pequenina e ouvia essa música:
Alagados, freisóu, Favela da Maré
A esperança não vem do azul, vem das antenas de Belém
Ah! Tem que dar pé, razão do pá, do pé, do pê
Ah! Tem que dar pé, razão do pá, do pé e do pê!
Tem do Djavan, que eu também já vi por aí… um festival de acontecimentos meteorológicos!
A maré, um deserto e seus tremores,
Vida que traz a cela dessas dores,
Não sabe voltar, me dá teu calor!
E a clássica dos Beatles:
Tcheiquiról beibi nau (tcheiquiról beibi)
Tuis-ten-chau! (tuistenchau)
cantarolado por Ian.
ENTENDO QUASE SEMPRE O QUE O BELTRANO DIZ
Maria Fernanda
http://profissaoestepe.blogspot.com
Meu nome é Maria Fernanda e desde os 14 anos (tenho 19) eu visitava um site que entrou em extinção que era o Compendium of Misheard Lyrics. E eu já achava engraçado em inglês, imagina então a versão nacional (que era algo que eu queria há tempo).
E eu tenho vários virunduns, não sei se por falta de atenção ou porque minha versão é bem melhor, mas quando eu era pequena cometia vários. Começarei pelos em português.
Na música “Homem Primata” eu cantava “homem pirata” e imaginava um monte de pirata cantando essa música.
“Música Urbana” do Capital. Esse era o pior de todos. Eu entendia “Contra a todos e contra ninguém, ENTENDO QUASE SEMPRE O QUE O BELTRANO DIZ”. Até hoje não sei o real significado, mas sei que não tem “beltrano”. E não entendo o que o Dinho diz.
meu pai cantando “Há tempos” da Legião: “Disseste QUE SITUAÇÃO”. Bem, na verdade é “Disseste que se tua voz…”
minha mãe cantando “Como nossos pais”: “Tá em casa, guardado por Deus contando MIL DEDAIS” (”vil metal”)
do cara da minha ex-futura banda, da música do Capital: “Parece muito, mas UM DIA O ZÉ…”. Na verdade é “Parece muito, mas podia ser”, mas com a dicção maravilhosa do Dinho Black Gold, parecia que ele ia contar uma história sobre o Zé.
tem um pagode do Grupo Pixote que o cara canta “Nem mesmo toda a água do mar”. Eu jurava de pé junto que era “BEBENDO toda a água do mar”.
E tem o pior de todos: de um jornaleco desses da Vila Matilde, jornal da comunidade cheio de poesias e anuncios “Má, te amo”. Colocaram a letra de “Pacato cidadão” mais ou menos assim’:
“O pacato cidadão, eu te chamei a atenção, não foi a toa não
SE FINILA O TOBIA mas a guerra todo dia, dia, dia não”
Agora, o que quer dizer “se finila o Tobia”?
Minha amiga com o tema do Eymael: “Ey-ey-eymael, o DEPUTADO AMIGÃO”
EMBROMATION SOCIETY
Tem um clássico de quando eu era pequenininha. Eu escutava aquela “Bette Davis Eyes” e pensava que era uma homenagem a um grande humorista brasileiro. Tudo porque quando ela falava “She’ll tease you, she’ll unease you…” eu entendia “Chico Anysio….”
E quando eu era pequena também acreditava que Minau era nome estrangeiro. Tudo porque tinha um monte de músicas relacionadas ao Minau.
“teicaluque Minau, uau” - Phil Collins - Take a look me now
“donseivaprê for Minau” - Duran Duran
“hou Minau, tot Minau, aidonuonalividaudiu…” - não sei quem canta, mas as filhas da Baby regravaram.
Tem outros que não me lembro mas que vou colocando nos comentários porque parar e escrever um e-mail pra mim é complicado. (cantarolado por Ian.)
Extraído do blog:
http://virunduns.blogger.com.br/2003_03_01_archive.html#104823838866677600
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